A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), por meio de sua Subsecretaria de Desenvolvimento Urbano, promoveu, na manhã desta terça-feira (03/03), o IV Encontro de Políticas Públicas de Desenvolvimento Urbano para discutir como a natureza pode integrar a infraestrutura das cidades para mitigar problemas ambientais e proporcionar adaptação climática.
Com o tema “Natureza como Infraestrutura da Cidade: abordagens integradas para mitigação e adaptação climática”, o encontro promoveu reflexões sobre a importância estratégica da paisagem, da água e das soluções baseadas na natureza para lidar com desafios urbanos contemporâneos, como enchentes, ilhas de calor e eventos climáticos extremos.
Com a participação de especialista internacional, profissionais de diversas áreas dos setores públicos e privados envolvidos na construção de espaços mais resilientes e sustentáveis, a agenda contou com a palestra da Patrícia Akinaga, arquiteta paisagista, urbanista e pesquisadora, com atuação consolidada no Brasil e no exterior nas áreas de urbanismo ecológico e planejamento ambiental, e de John Leys, engenheiro civil e especialista em infraestrutura sustentável, natural e radicado em São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos.
Iniciando o encontro, o subsecretário de Desenvolvimento Urbano, José Police Neto, destacou a união de esforços que é necessária para entregar à sociedade espaços públicos que proporcionem qualidade de vida à população, com foco em projetos urbanísticos capazes de serem mantidos pela comunidade. “O nosso propósito no dia de hoje é pensar em como trazer mais qualidade ao espaço coletivo. É impossível a gente desenhar as nossas cidades sem interpretarmos exatamente o que a nossa população tem condições de manter naquela lógica estruturada, portanto, não é entranha só a competência e o compromisso do melhor desenho, mas do melhor desenho adaptado à capacidade que nós temos de financiar e mantê-los. Esse é o nosso desafio, a nossa capacidade criativa de juntar as duas pontas”, explicou.
O subsecretário também ressaltou a importância do debate técnico na formulação de políticas públicas. Segundo ele, “tratar a natureza como infraestrutura é um passo fundamental para qualificar o planejamento urbano e orientar ações concretas do Estado de São Paulo, especialmente diante dos impactos cada vez mais evidentes das mudanças climáticas sobre as cidades”.
A Subsecretaria é a responsável por estruturar e elaborar o Bairro Paulista - Cidades Sustentáveis, projeto focado na transformação de cidades paulistas em espaços mais sustentáveis, resilientes e inteligentes. “Esse entrosamento entre Estado e Município é muito importante para que todas as cidades paulistas possam enfrentar os eventos climáticos extremos, essa é a nossa missão. Quando nós trouxemos conteúdos de soluções baseadas na natureza, as fichas técnicas apoiam os municípios na construção de projetos que melhorem e capacitem os espaços a enfrentar esses desafios”, pontuou Mirtes Luciani, consultora do órgão. A iniciativa é norteada pelo Caderno de Tipologias Urbanas Modulares, que traz soluções para a implementação de Infraestruturas Verdes, Bioengenharia e Soluções Baseadas na Natureza que privilegiem melhoria da drenagem, redução da impermeabilização do solo, estimulem a mobilidade e a segurança viária, entre outros benefícios diretos para a população.
Representando a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), a diretora de Projetos, Maria Teresa Diniz, destacou a relevância do encontro para a atuação do poder público na produção do espaço urbano, “o evento foi muito importante e se consolidou como uma fonte de reflexão para evoluirmos na qualidade do nosso trabalho. A CDHU e a Secretaria vêm desenvolvendo, de forma integrada entre as equipes, ferramentas fundamentais para a atuação técnica, como o caderno de tipologias e o Plano de Desenvolvimento Urbano e Habitação, construído em parceria com os municípios, que tem contribuído diretamente para o aprimoramento dos diagnósticos. Esses espaços de troca são especialmente impactantes, pois nos permitem olhar para além das nossas próprias estruturas, compreender o que existe fora delas, identificar como podemos nos beneficiar dessas experiências e de que forma esses processos se retroalimentam. É a partir dessa integração de conhecimentos técnicos e da capacitação contínua das equipes que fortalecemos nossas práticas e qualificamos a ação pública.”
Rodada de palestras
O ciclo de palestras começou com Patrícia Akinaga destrinchando o papel da arquitetura na busca pelo equilíbrio entre o meio natural e o meio construído, trazendo estudos e experiências técnicas ao longo de sua jornada profissional que exemplificaram a arquitetura paisagística como elemento de reconciliação entre natureza, cidade e pessoas. “O verde não é apenas um acessório, é um componente importante da recuperação urbana, principalmente para a vida cíclica da comunidade, como grande espaço promotor da interação social”, pontuou.
Ao longo da apresentação, Akinaga também trouxe alguns casos de recuperação paisagística, de preservação de patrimônio histórico e de intervenções urbanística em comunidades para reforçar que cada projeto deve ser pensando levando em consideração seu objetivo, visando sempre conciliar as necessidades das comunidades com o potencial disponível nos espaços. Para isso, a integração com as outras áreas também é fundamental.
A arquiteta, ao final, também trouxe uma reflexão a respeito da atuação do homem sobre o natural. “Por mais que o homem construa e faça a sua ação de dar forma à paisagem, a natureza sempre vai ganhar, porque ela tem mais força. Temos que ter em mente que o capital humano e a natureza não têm uma relação antagônica, mas de entendimento”, finalizou.
Na sequência, John Leys apresentou abordagens integradas de infraestrutura sustentável, evidenciando como a gestão da água e o desenho do espaço público podem atuar de forma conjunta para mitigar riscos climáticos e ampliar a qualidade urbana. “Somos engenheiros, mas sempre estamos buscando chegar nos problemas com responsabilidade e pensando de forma ecológica. Temos que trabalhar junto com a natureza, mas, para isso, é fundamental entendê-la. O mundo está secando, principalmente os espaços urbanos, por isso a natureza está perdendo a capacidade de gerenciar as águas pluviais sozinhas. Então, no nosso projeto, é muito importante pensarmos nessa seca que estamos passando e na viabilidade de gerenciar essa água”, explicou.
John também trouxe alguns casos desenvolvidos nas cidades de Nova Orleans e Nova York de gerenciamento hídrico, que usaram métodos de drenagem e escoamentos de água, como jardins de chuva, biorrentenção e construção de reservatórios de detenção subterrânea, para mitigar enchentes. Nestes casos, ainda conforme explicou, a aplicação do projeto contou o engajamento social da comunidade, uma etapa fundamental para a manutenção dos resultados. “Os moradores estão satisfeitos, comemorando o desempenho, mas também são parte da manutenção do lugar. Como passam a fazer parte do processo, eles entendem o porquê o desenho é assim, em quais lugares ocorrem as drenagens e o escoamento das águas das chuvas”, completou.
O final do evento foi marcado por uma rodada de conversa para trocar de experiências e esclarecer dúvidas a respeito do papel dos agentes públicos e privados na construção de cidades preparadas para o futuro.
Bairros Sustentáveis
Sob a ótica da natureza como papel estruturador de projetos urbanísticos, o programa Bairro Paulista – Cidades Sustentáveis já tem gerado impacto nas cidades que foram beneficiadas com ações. A iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, desenvolvida pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), tem como foco promover o desenvolvimento sustentável nos municípios com intervenções orientadas pelo Caderno de Tipologias Urbanas Modulares (Clique aqui https://admin.cms.sp.gov.br/dx/api/dam/v1/collections/0d834cce-4e3c-4286-9a38-43abd5b010f6/items/3601581a-445b-431e-a001-3b90ffeb133a/renditions/c68cf3c8-e794-4f26-bee5-7a5205e6f2bd?binary=true ), que traz soluções baseadas na natureza para implementar infraestruturas verdes nos núcleos e beneficiar a população em aspectos relacionados ao lazer, à segurança e à mobilidade urbana.
Desde sua implementação em novembro de 2024, o projeto já beneficiou mais de 1,3 mil famílias nas cidades de Araçoiaba da Serra e Alambari, na região de Sorocaba, em Lagoinha, na região de São José dos Campos, em Juquitiba, na Grande São Paulo, e, mais recentemente, em Tabatinga, na região Central, e em Macedônia, na região de São José do Rio Preto. Nas áreas de implementação, houve ganhos imediatos e significativos para a qualidade de vida nas comunidades com novas infraestruturas urbanas sustentáveis e de mobilidade, além da criação de espaços verdes que dispõem de opções de esporte e lazer.
Bairro Paulista em Lagoinha
Bairro Paulista em Araçoiaba da Serra