Diante do avanço de eventos extremos e das necessidades urgentes de se adaptar cidades às mudanças climáticas, o Governo do Estado aposta na qualificação técnica como estratégia para fortalecer o planejamento urbano. Em parceria com Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH) iniciou, em abril, um curso voltado à formação de gestores públicos na Região Metropolitana de Jundiaí.
A iniciativa reúne engenheiros, arquitetos, urbanistas e técnicos da defesa civil em uma formação prática com foco na prevenção de riscos, enchentes, eventos climáticos e vulnerabilidades socioambientais. O curso é integralmente financiado pelo IAB-SP. As inscrições foram feitas diretamente pela entidade, com vagas abertas ao público e parte destinada a indicações da Subsecretaria, enviadas em março.
Com carga horária de 58 horas, o curso “Adaptação das Cidades à Emergência Climática” combina conteúdo teórico e aplicação prática, abordando temas centrais do planejamento urbano contemporâneo, como resiliência urbana, justiça climática, habitação em áreas de risco, mobilidade adaptada, soluções baseadas na natureza e financiamento climático.
Ao longo das atividades, os participantes desenvolvem, em grupos, diretrizes para a elaboração de Planos Municipais de Adaptação Climática, a partir de estudos de caso vinculados às suas realidades territoriais. A proposta também contempla a consolidação de uma cartilha, ampliando o alcance dos conteúdos e apoiando sua incorporação nas políticas públicas locais.
A formação é gratuita, viabilizada pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS), organização filantrópica que apoia iniciativas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas no Brasil. O conteúdo teórico é aplicado pelo IAB-SP, por meio do Grupo de Trabalho Clima e Cidade, em parceria com a Escola da Cidade.
O arquiteto e urbanista Luiz Florence, membro fundador do Grupo de Trabalho Clima e Cidade e organizador do curso, destaca o caráter prático da proposta. “Em tempos de urgência, é necessário que a formação e o letramento na questão climática venham acompanhados de ações com desdobramentos concretos. É nesse espírito que o curso foi concebido: para formar quadros, mas também para viabilizar projetos”, afirma.
Florence também ressalta a importância da integração entre poder público, academia e entidades técnicas para enfrentar a complexidade da adaptação climática e ampliar a capacidade de resposta dos municípios.
Na mesma linha, a diretora de Ensino, Formação e Práticas Profissionais do IAB-SP, Beatriz Vanzolini, professora da Escola da Cidade, enfatiza a importância da capacitação técnica para transformar planejamento em ação. “A formação prática de gestores públicos é fundamental para que políticas de adaptação climática se traduzam em ações concretas nos territórios”, destaca.
Nesse contexto, o subsecretário de Desenvolvimento Urbano, José Police Neto, destaca o papel estratégico dessa atuação. “Ao mobilizar parcerias e viabilizar o financiamento por meio de instituições como o ICS, o Estado amplia a capacidade de atuação dos municípios sem onerar o orçamento público, direcionando esforços para a implementação de soluções e a transformação concreta dos territórios”, afirma.
José Police ainda complementa mensurando o impacto deste trabalho coletivo, e traçando um panorama de próximos passos para com projetos que já estão em andamento na Região Metropolitana de Jundiaí, para além dos desafios de mudanças climáticas: "A parceria com a competência e reputação do IAB e ICS garante uma evolução consistente de nosso Desenvolvimento Urbano Integrado nas Regiões Metropolitanas. Todo esse conjunto trará ainda mais robustez para os nossos futuros esforços. Um exemplo, com a conclusão do curso, daremos sequência ao diálogo contínuo com a região, a partir dali, o nosso primeiro desafio são as transformações que o novo Trem Intercidades e o Trem Metropolitano, ligando São Paulo, Jundiaí e Campinas, produzirá no contexto urbano."